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![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() | Professores ainda não conhecem os termos do acordo mas, há decepção "Enquanto houver quotas, não há paz nas escolas" Ontem, os professores ainda se queixavam de falta de informação, mas a que tinham não justificava manifestações de entusiasmo. [Sofia Rodrigues, Graça Barbosa Ribeiro, Público.pt, 09-01-2010] | 0 comentários Eunice Pimentel, professora contratada da Escola Joaquim de Carvalho, Figueira da Foz, ia a caminho das aulas, às 8h00, quando ficou a saber, via rádio, que "depois de 14 horas de reuniões", ministério e sindicatos da educação tinham chegado a acordo. Achou positivo - "É muito bom saber que esta ministra dialoga, negoceia, cede", pensou. Mas o jornalista não anunciou o que ela queria ouvir: o fim das quotas na avaliação do desempenho dos professores. Talvez por isso, quase esqueceu o assunto e, nas conversas rápidas com os colegas, nos intervalos, também ninguém lho lembrou. "É capaz de parecer estranho, realmente, mas a verdade é que falámos de outras coisas. Acho que estamos saturados. Já não fazemos um alarido por qualquer coisinha."
Anda a fazer compras no tempo destinado ao almoço, e recorda as declarações prestadas ao PÚBLICO no dia em que soube que Isabel Alçada, co-autora da colecção de livros "Aventuras" que devorou em criança, se tornara a "sua" ministra. "Nessa altura disse que acreditava que Isabel Alçada seria dialogante, compreensiva, justa. Agora posso dizer que não me desiludiu, porque, pelos vistos, está ganha a batalha do diálogo. Mas ainda não posso dizer mais do que isso porque, enquanto não acabarem as quotas, a paz não regressa às escolas." Eunice, professora de Português, guarda o papel em que, por escrito, lhe foi comunicado que a sua avaliação em relação a 2008 corresponderia a um Muito Bom, mas que, "devido ao sistema de quotas", ficou com um Bom. Bruno Cerqueira, a leccionar Informática numa escola do Norte, em Paredes de Coura, não tem provas documentais, mas assegura que do Excelente proposto passou para o Muito Bom: "Doeu um bocadinho...". Também Bruno Cerqueira foi ontem à escola e ouviu as notícias pela manhã e, como Eunice Pimentel, não comentou o assunto com colegas. Mas diz-se satisfeito com as negociações. "Ainda não tenho pormenores, mas, seja como for, haver diálogo e chegarem a um acordo já é uma boa novidade em relação ao passado recente", considera, confiante em que, "se a ministra cedeu neste caso, estará igualmente aberta a corrigir outras injustiças" nas negociações que se seguem. Cecília Terleira, que se tornou famosa há um ano, quando contestou a ordem da Direcção Regional de Educação do Norte para que fizesse desfilar alunos e professores por Paredes de Coura, num cortejo de Carnaval, está menos entusiasmada. De presidente de conselho executivo passou a directora e os anos de experiência não lhe deixam dúvidas: "O modelo de avaliação, com ciclos de dois anos e quotas, promete a mesma ou mais burocracia e fará com que haja cada vez mais competição e menos cooperação entre os professores." E o tempo de serviço? Maria do Rosário Gama, a directora da Escola Infanta D. Maria, uma socialista que liderou os professores desavindos com o primeiro Governo de Sócrates em manifestações por Lisboa, não se mostra menos preocupada: "Em relação ao estatuto da carreira foi alcançado o melhor acordo possível, dadas as circunstâncias. Mas na avaliação não se melhorou. Quero ver o que será quando cem em cem professores pedirem um total de 200 aulas assistidas para terem os Muito Bons e Excelentes que lhes permitem progredir na carreira sem limitações... Como é que vai ser? Paramos a escola para nos avaliarmos uns aos outros!?" Há quem lembre outras coisas que "ficaram de fora" do acordo. "Há aspectos positivos, claro, mas não ficou resolvido o problema da recuperação da contagem do tempo de serviço, que foi "congelado"", diz Maria Conceição Matos, professora do 1.º ciclo em Santarém. Carla Oliveira, que dá Matemática e Ciências no mesmo agrupamento de escolas, elogia sindicatos e ministra - "Catorze horas!!! É de se lhes tirar o chapéu!" - mas também lamenta a perda do tempo de serviço. Fora das escolas, o ambiente era diferente. Embora alertando para que ainda há muito a fazer no sector da Educação, os representantes do PSD, do BE e do PCP saudaram o acordo. "Estamos muito satisfeitos. Está restaurada a pacificação nas escolas, que era o nosso objectivo", reagiu o líder parlamentar do PSD, Aguiar-Branco, que, apesar de reconhecer mérito ao Governo, considerou que foi o seu partido que deu "a chave da solução", ao apontar o caminho das negociações, no Parlamento. Também as confederações das associações de pais se congratularam com a paz e estabilidade que, acreditam, o acordo fará regressar às escolas. Mas nem todos estão seguros de que isso aconteça. Vários professores admitiam ontem que só nos próximos dias, depois de receberem mais informação e de o acordo ganhar honras de tema de discussão, se poderá perceber qual o estado de espírito da classe. Os movimentos independentes, mais informados, anteciparam-se. Ricardo Silva, da Associação de Professores em Defesa do Ensino, avisa que "a luta dos professores vai ter de continuar, dadas as questões que ficaram de fora do acordo". Octávio Gonçalves, do Promova, fez questão de assinalar, no blogue do movimento, a data do entendimento: "7 de Janeiro de 2010 - Dia da Traição Sindical." E, sob aquele título, provocou: "Os professores exigiram, nas ruas de Lisboa, o fim do modelo de avaliação em vigor ou manifestaram-se para reclamar um sistema de quotas mitigado?" Quatro perguntas a Isabel Alçada Negociou o acordo com autonomia mas sem nunca deixar de sentir o apoio do primeiro-ministro. Durante 14 horas, entre quinta e sexta-feira, a ministra Isabel Alçada negociou com 14 sindicatos, reunidos, em simultâneo, em quatro pisos do Ministério da Educação. Sobreviveu. Ser avó, diz a ministra da Educação nesta pequena entrevista feita por e-mail, foi uma ajuda importante. Por que razão se tornou tão indispensável obter um acordo ontem, justificando a longa maratona e o tudo-por- tudo que se viveu? Qual foi o momento-chave que permitiu desbloquear as negociações? Porque era importante e considerei urgente devolver a serenidade às escolas para que todos se possam melhor concentrar no que é essencial: a aprendizagem dos alunos. A sua antiga experiência como sindicalista, que participou em negociações com o Governo, foi-lhe útil nesta longa jornada? Toda a experiência é útil. O meu trabalho no sindicato foi há muito tempo e nunca participei neste tipo de negociações. Que indicações e metas recebeu do primeiro-ministro para negociar este acordo? Teve a autonomia que desejou? Tenho autonomia e sinto-me muito apoiada pelo primeiro-ministro e pelo Governo no exercício das minhas funções. Como conseguiu resistir ao longo do dia de ontem e chegar de madrugada sem quase sinais visíveis de cansaço? Quem trabalha em Educação, e sobretudo quando se é avó, sabe-se dosear o esforço, aproveitar os mais breves momentos de pausa para recuperar e usar toda a energia para chegar a bons resultados.C.V. |
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