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Manuel Alegre em Sines
Alegre acusa Cavaco de ser "co-responsável pela crise"
Manuel Alegre afirmou hoje que o mandato de Cavaco Silva enquanto Presidente foi uma "experiência falhada".
[Lusa, 30-11-2010] | 1 comentário
Reagindo à apresentação do manifesto presidencial de Cavaco Silva, esta segunda-feira, Manuel Alegre criticou o facto do candidato apoiado pelo PSD e CDS-PP considerar "que Portugal precisa de um presidente com muita experiência".

"Ele falou muito da experiência, falando de si próprio, e de que Portugal precisa de um presidente com muita experiência, portanto precisa de um presidente como ele", relatou Manuel Alegre, salientando ainda do discurso de Cavaco Silva que terá feito "muitos avisos" ao governo durante o actual mandato.

"A experiência parece que não serviu para grande coisa e os avisos também não", apontou Manuel Alegre, criticando que Cavaco Silva não tenha "usado os poderes presidenciais que detém", o que interpreta como "uma experiência falhada".

"Embora o candidato Cavaco Silva queira lavar as mãos como Pilatos, ele é co-responsável pela crise e pela situação em que se encontra o nosso país", acusou.

Manuel Alegre acusou ainda Cavaco Silva de estar "a abrir caminho ao esvaziamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) como um serviço universal e tendencialmente gratuito".

"Ele disse que devia ser discutida a sustentabilidade do SNS sem preconceitos ideológicos e ao fazer esta afirmação, ele está a tomar partido, está a fazer uma afirmação ideológica e está a aderir à posição das forças políticas do centro-direita que o apoiam e que têm um projecto estratégico de destruição do Estado Social, nomeadamente do SNS", afirmou.

"Quando ele diz que sem preconceitos ideológicos se deve discutir a sustentabilidade do SNS e da Segurança Social está a abrir o caminho ao esvaziamento do SNS como um serviço universal e tendencialmente gratuito e está a abrir o caminho à privatização da segurança social", sublinhou.

O candidato apoiado pelo PS e pelo Bloco de Esquerda (BE), defende que isso é o que vai estar em causa no próximo dia 23 de Janeiro: "é essa escolha que os portugueses vão ter que fazer e essa é uma escolha política, sobre o modelo político do país, sobre o modelo de sociedade, sobre a forma e o conteúdo da nossa democracia".

Manuel Alegre deixou ainda a promessa de que, se for eleito, nos serviços públicos "ninguém toca".

"A minha posição é clara, comigo na presidência, ninguém toca no SNS, ninguém toca da Segurança Social pública, ninguém toca no conceito de justa causa e ninguém toca na escola pública", prometeu.

O candidato às eleições presidenciais de 23 de Janeiro apoiado pelo PS e pelo Bloco de Esquerda discursava hoje num almoço com apoiantes, após uma reunião com a Administração do Porto de Sines.

 

[1] Se o povo falasse! Ouçam-lhe os murmúrios...
Paulo Lemos Conceição, 2010-12-01 14:52:28
O primeiro-ministro não é amigo do povo!

O Presidente da República não é amigo do povo!

Os políticos, na sua generalidade, não são amigos do povo!

Se o considerais um rebanho, não o prezais!

Se o considerardes somente um amontoado de massa humana, renegais-lhe a sua condição!

Pois amar o povo, significa querer libertá-lo da sua menorizada condição, investindo-o cada vez mais da consciência da sua dignidade humana.

Um povo é um conjunto de inteligências e de vontades que conscientemente se podem e devem afirmar. Hoje mais do que nunca.

O verdadeiro político que ama o povo, respeita-o e respeita-se a si mesmo, tendo sempre presente a consciência profunda da eminente dignidade da obra social a que se votou quando político, primeiro-ministro ou presidente.

Não basta desejar melhorar as condições económicas do povo Português, pois essa melhoria não passa de um simples meio e é criminoso ou estulto, tomar o meio como fim.

Além disso, tal melhoria é inevitável e não é possível compreender a continuação da marcha da humanidade sem que tal se realize.

A transformação económica deste mundo moderno, organizado nos altos interesses, tem a inevitabilidade do que é fatal, e, verdadeiramente nela todos somos agentes – mesmo, senão principalmente, os que se lhe querem opor.

Não, não meu amigos, aquele, ou aqueles que julgam ou querem inculcar ao povo - através de um falso discurso -, que lhe basta a melhoria material, não são, nem nunca poderão vir a ser, amigos do povo.

Se não considerarmos, nos homens, nas mulheres, nas crianças, acima de tudo o espírito, inevitavelmente os teremos de considerar simples máquina de produção de estrume. E olhem que sendo assim, é considerá-los bem pouco!

E além disso, o direito dos próprios bens materiais é o espírito que o afirma e sustenta, porque a necessidade tem apenas por desejo, satisfazer-se e, uma vez satisfeita, repousa na digestão ou no sono.

Aquele que se atém à questão económica – e como os temos visto -, não é amigo do povo.

O verdadeiro amigo do povo vai muito para lá dessa insofismável questão, pois o que acima de tudo deve interessar é a progressiva “aristocratização” do povo pela revelação, desenvolvimento e aproveitamento de todas as suas capacidades superiores que ele possa conter.

O povo não quer que o lisonjem ou o aprazem, mas sim que lhe digam aquilo que lhe convém. Isso muitos poucos lhe têm dito, e desses, nem cheiro de primeiros-ministros, sequer presidentes ou po

 
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