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![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() | Morte de músico, compositor, médico e político apanhou de surpresa, família, amigos e admiradores José Niza partiu mas a obra ficou [O Mirante, 29-09-2011] | 0 comentários Quem tinha dúvidas sobre a importância da vida e obra de José Niza ficou com elas desfeitas após a sua morte. O desaparecimento deste homem de cultura e de causas teve repercussão nacional e o seu legado vai perdurar no tempo. Porque os homens partem mas as suas obras ficam. Santarém e Portugal estão mais pobres. E depois do adeus fica a obra do compositor, músico, médico e ex-deputado socialista, do político que se bateu por causas como o serviço nacional de saúde e a divulgação da música portuguesa. José Niza, 73 anos, foi a enterrar no cemitério de Santarém no sábado 24 de Setembro. No último adeus ao homem que escreveu a canção “E depois do adeus”, uma das senhas para a revolução do 25 de Abril, estiveram muitos amigos da luta pela liberdade, das artes, da política e da vida.
A despedida de um homem simples, sereno e humanista fez-se ao som de muitas palmas e dessa música popularizada na voz de Paulo de Carvalho, interpretada pela banda da Gançaria (Santarém). Foi com surpresa e consternação que a notícia caiu em Santarém na manhã de sexta-feira, 23 de Setembro: José Niza, 73 anos completados uma semana antes, morrera nessa madrugada, num hospital de Lisboa, onde se encontrava internado para fazer exames médicos. José Niza tinha sido internado três dias antes no Hospital de Santa Maria devido a insuficiência respiratória, tendo sido detectadas “outras complicações”, acabando por falecer devido a uma paragem cardiorrespiratória. A Câmara de Santarém, em cujo salão nobre o corpo esteve em câmara ardente, declarou três dias de luto municipal, manifestou o seu “profundo pesar” e na reunião do executivo de segunda-feira foi guardado um minuto de silêncio. No funeral de José Niza estiveram figuras da política e da cultura como Laborinho Lúcio, Manuel Alegre, Edmundo Pedro, Jorge Lacão, ex-camaradas combatentes e também muitos autarcas do concelho e do distrito. A música, a medicina, a política e a escrita José Manuel Niza Antunes Mendes nasceu em Lisboa, a 16 de Setembro de 1938, e viveu em Portalegre até aos sete anos. Fez a escola primária e o liceu em Santarém e vivia há muitos anos em Perofilho, uma aldeia dos arredores da cidade. Personalidade multifacetada destacou-se em diversas áreas. Foi autor de muitas canções para intérpretes como Paulo de Carvalho, Carlos do Carmo, Carlos Mendes, Duarte Mendes, Tonicha, Teresa Silva Carvalho, Adriano Correia de Oliveira, Vitorino, Janita Salomé, Rui Veloso e Samuel. José Niza venceu quatro Festivais RTP da Canção como compositor e foi o autor da letra da canção “E Depois do Adeus”, interpretada por Paulo Carvalho. Como político, sempre ligado ao Partido Socialista, foi deputado na Assembleia Constituinte, após a revolução de 74, e depois em cinco legislaturas na Assembleia da República até ao final da década de 90. Foi durante oito anos (1993-2001) presidente da Assembleia Municipal de Santarém. Como deputado José Niza foi autor, ou co-autor, de diversas iniciativas e diplomas legislativos, casos do Código dos Direitos de Autor e Direitos Conexos, Lei de Protecção da Música Portuguesa e redução do imposto sobre importação de instrumentos musicais. Licenciou-se em medicina em Coimbra em 1966, onde fez a sua tese de licenciatura sobre esquizofrenia, enveredando, depois, pela psiquiatria. Depois do 25 de Abril foi administrador e director de programas da RTP, sendo o responsável pela compra da primeira telenovela brasileira pela televisão pública, “Gabriela Cravo e Canela”. A escrita era uma das suas paixões, tendo publicado em 2008, com a chancela de O MIRANTE, o livro “Poemas da Guerra (Angola 1969 - 1971)”, escritos durante a missão em Angola na guerra colonial. “A forma como encarei a guerra e com ela me confrontei, teve algo de ingenuidade e de loucura lúcida. A minha confrontação com a guerra foi - no fundo - não a levar a sério. Melhor dito: não a levar a sério... mas não convinha que ela soubesse disso”. Regressado da guerra colonial em 1971, José Niza passou a ser responsável pela produção da editora discográfica Arnaldo Trindade (Discos Orfeu) para onde gravavam, ou vieram a gravar, os nomes mais importantes da música popular portuguesa, como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Luís Cília, Sérgio Godinho, Vitorino, Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Manuel Freire, Carlos Mendes, José Calvário, Duarte Mendes e muitos outros. Como produtor, ou director musical, José Niza foi responsável pela gravação de discos como Gente de Aqui e de Agora, de Adriano Correia de Oliveira (1971), Eu Vou Ser Como a Toupeira (1972), Venham Mais Cinco (1973), Coro dos Tribunais (1974) e Com as Minhas Tamanquinhas (1976) todos de José Afonso e O Guerrilheiro (1974) de Luís Cília. Em 1994 foi agraciado pelo Presidente da República, Mário Soares, com a condecoração de Grande Oficial da Ordem de Mérito. Em 2007 foi distinguido por O MIRANTE como Personalidade do Ano na área da Cultura, referente ao ano de 2006. Sociedade Portuguesa de Autores atribui Medalha de Honra a título póstumo A direcção da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) decidiu atribuir, a título póstumo, a Medalha de Honra da instituição a José Niza, anunciou a cooperativa. Segundo o comunicado enviado pela SPA, a instituição destaca a “incansável dedicação à cooperativa dos autores portugueses [de José Niza] enquanto presidente da mesa da assembleia geral, e a acção desenvolvida, na condição de deputado da Nação, em defesa dos direitos dos autores”. A SPA pretende ainda com este gesto celebrar “o seu excepcional percurso como autor de canções e como promotor e divulgador da obra de alguns dos nomes mais importantes da música portuguesa e ainda o seu exemplo como cidadão empenhado nos combates pela liberdade, pela democracia e por uma cidadania activa”. “Esta distinção será entregue durante uma sessão de homenagem, em data a anunciar, aos familiares de José Niza”, escreve a SPA. “José Niza é também uma figura indissociável dos grandes combates pela democracia e pela liberdade, sempre com uma rigorosa posição ética e cívica que os seus amigos e companheiros nunca deixaram de sublinhar”, sublinhou a SPA. Como director de programas da RTP, escreveu a SPA, José Niza “bateu-se por uma presença mais forte e digna da música portuguesa no espaço televisivo”. A SPA prevê um programa de iniciativas de homenagem a Niza e, em Outubro, inaugurará, na sede da cooperativa, em Lisboa, a exposição sobre a canção “E Depois do Adeus”, os seus autores e intérpretes, que já esteve patente em Santarém. Moita Flores lamenta perda de amigo, um homem “fraterno e humilde” O presidente da Câmara Municipal de Santarém confessou a “sensação de perda muito grande” sentida com a morte do poeta, músico, político e médico José Niza. “Era um homem que admirava muito, por quem tinha uma grande amizade, um homem fraterno e humilde. Tinha tanto de genial como de humilde. É uma sensação de perda muito grande”, disse Francisco Moita Flores. O autarca recordou a amizade “de há muitos anos”, iniciada em Lisboa e reencontrada em Santarém depois de assumir os destinos da autarquia, sublinhando que, apesar das diferenças políticas, nunca houve qualquer “rivalidade política” entre ambos. Moita Flores colocou no seu blogue, Projétil, duas cartas a José Niza, uma escrita quinta-feira, quando soube do seu internamento num hospital em Lisboa, e outra, de despedida, na sexta-feira, quando soube da sua morte. O MIRANTE editou primeiro livro de José Niza O primeiro livro de José Niza, “Poemas da Guerra”, foi editado por O MIRANTE e distribuído gratuitamente em 2008 com a edição da semana em que se comemorou mais um aniversário do 25 de Abril. Os poemas de José Niza foram escritos entre 1969 e 1971, em Záu Évua, no norte de Angola, na altura em que o médico, ex-deputado, poeta e compositor, cumpria o serviço militar obrigatório, integrado no Batalhão de Caçadores 2877 como alferes miliciano. Pinto Balsemão comparou-o a Pessoa e O’Neill Francisco Pinto Balsemão, presidente da Impresa (SIC e Expresso), comparou José Niza a Fernando Pessoa e O’Neil no prefácio do livro “Poemas de Guerra, editado por O MIRANTE em 2008. Balsemão dizia que o livro revela “um grande poeta português, na linha e na tradição de Pessoa e de O’Neill - do sarcasmo, da crítica, da tomada de posições políticas corajosas, mas também da ternura pelas crianças, da absorção contemplativa e participativa da natureza, de alguma sensualidade comedida.” No prefácio que escreveu para o livro de José Niza, o seu amigo Francisco Pinto Balsemão desafiava-o a escrever mais. “Devia consagrar muito mais do seu tempo à poesia, recuperando e dando versão definitiva ao que decerto já escreveu e guarda só para si. E, sobretudo, criando, escrevendo novos poemas. Podemos e devemos exigir a José Niza que não fique por aqui, que escreva e publique mais poesia.” Testemunhos na hora do adeus “Tive o privilégio de conviver pessoal e politicamente durante décadas com José Niza, de quem sou um grande admirador. Tratava-se de uma das personalidades mais completas da intelectualidade portuguesa e um exemplo na vida pública nacional. Foi com grande surpresa e consternação que soube deste desenlace que a uma multidão de amigos vai causar consternação, cabendo-me apresentar à família um testemunho venerado de grandes pêsames na certeza que José Niza não desapareceu porque viverá sempre nas suas obras e nos exemplos de grande dimensão ética que nos legou”. José Miguel Noras ex-presidente da Câmara Municipal de Santarém Este é um momento muito triste para mim porque o José Niza é o camarada e o irmão de uma vida. Foi um dos grandes apoiantes do Serviço Nacional de Saúde, mas acima de tudo era um artista, um homem da liberdade e uma pessoa muito fiel aos valores, aos princípios, à sua família e aos seus amigos. Compôs músicas com poemas que fazem parte do imaginário colectivo. Manuel Alegre poeta, político socialista Era um homem bom. Para além de ser um grande artista, um criador, um humanista, era um homem bom. Edmundo Pedro fundador do Partido Socialista Foi dos homens mais serenos que já conheci na minha vida. Parece que nunca se irritava, nunca se enervava. E sempre com grandes responsabilidades políticas e ideológicas. João Correia advogado, ex-secretário de Estado da Justiça Foi um dos grandes vultos do fado de Coimbra. Fez a transposição para a balada, foi companheiro do Zeca Afonso e do Adriano Correia de Oliveira. Ajudou-os na edição dos melhores discos que eles tiveram. E depois passou também para a música ligeira. E foi um político com cabeça e independência. Madeira Lopes advogado, ex-vereador da Câmara de Santarém Ele era uma pessoa brilhante, mas era tão simples e tão desligado da vida que passava despercebido, não fosse aquele seu ar meio desleixado com aquela barba e aquele cabelo. Vamos ficar com muitas saudades dele. Morais Gonçalves companheiro de guerra em Angola “Amigo e vizinho do Zé Niza, há décadas, acabo de ser surpreendido com a notícia da sua morte, através de O MIRANTE. O Zé era um homem culto, excelente conversador, com uma serenidade e uma disponibilidade espantosas. Bom amigo. Com um invulgar curriculum na vida cultural e na vida política acaba de deixar Portugal mais pobre. Ficará para sempre ligado ao 25 de Abril cujos ideais vivia, de alma e coração. Sentidos pêsames à família”. Hermínio Martinho ex-vereador da Câmara Municipal de Santarém “José Niza, médico, compositor e político, foi uma das figuras mais marcantes da História Contemporânea de Portugal. Grande resistente antifascista, foi sempre um político corajoso e intransigente na defesa da liberdade, da paz, dos direitos humanos e dos direitos sociais dos mais desfavorecidos. José Niza ficará para sempre ligado à Revolução de Abril. Pedro Magalhães Ribeiro presidente do PS/Cartaxo O Partido Socialista de Santarém lamenta profundamente o desaparecimento do insigne cidadão e seu militante José Niza. Médico, compositor e político, foi uma personalidade de dimensão nacional, com uma participação cívica invulgar, deixando marcas indeléveis em vários sectores da sociedade portuguesa. Os militantes do Partido Socialista de Santarém apresentam as suas sinceras condolências à família de José Niza e curvam-se respeitosamente perante a sua memória. A Comissão Política do Partido Socialista de Santarém |
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