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![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() | Dívida Mais de 521 mil famílias em esforço crítico com pagamento de prestações à banca Relatórios do Banco de Portugal e do INE mostram que dívidas destas famílias pesam pouco para os bancos [Bruno Faria Lopes, Jornal i, 26-05-2012] | 0 comentários Mais de 521 mil famílias portuguesas enfrentam uma taxa crítica de esforço financeiro para cumprirem os pagamentos das dívidas aos bancos, revela um inquérito à situação financeira das famílias publicado ontem pelo Banco de Portugal e pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). É a este universo de portugueses – que vale 13% do total de agregados familiares estimado pelo INE – que se dirigem as propostas de reestruturação de créditos hipotecários apresentadas pelos partidos políticos (ver ao lado). O relatório permite traçar um retrato genérico dos portugueses em situação de maior vulnerabilidade perante os bancos (casos em que o peso dos encargos da dívida pesam mais de 40% do rendimento). O problema é muito significativo no escalão de mais baixos rendimentos – os 20% de portugueses que menos ganham –, afectando quase 60% das famílias. O Banco de Portugal explica que nos restantes escalões “as situações em que o rácio ultrapassa os 40% encontram-se distribuídas de modo mais uniforme e os rácios medianos atingem no máximo valores em torno de 20%, ou seja, cerca de metade do valor crítico”. As taxas de vulnerabilidade são mais altas para desempregados (20%), trabalhadores por conta de outrem (26%, um dos grupos mais penalizados pela crise e que mais gente envia para o desemprego) e pessoas com mais baixo nível de escolaridade. As pessoas isoladas são muito mais frágeis (23%) que as famílias com cinco ou mais pessoas (8%). Por idades, a fragilidade perante a banca é mais alta nos extremos: para os jovens (17%) e para as pessoas com mais de 75 anos (17%).
A reestruturação das dívidas das famílias em maiores dificuldades – quase sempre por créditos à habitação (80% da dívida das famílias portuguesas) – tem sido um tema dominante no debate público, alimentado pelo aumento do número de devoluções de casas aos bancos e por um relatório recente do FMI que sugere indirectamente a Portugal que ponha em prática mecanismos de apoio aos casos mais problemáticos. Os partidos políticos apresentaram já várias propostas de mecanismos de reestruturação (ver texto ao lado). Apesar de o número ser alto em termos absolutos (521 mil agregados) e da atenção mediática, o relatório do Banco de Portugal e do INE aponta que o peso destes casos no total é relativamente pequeno (13%). Numa análise publicada em 2007 pelo Banco de Portugal, a economista Luísa Farinha apontava que “do ponto de vista da avaliação dos riscos que as situações de maior vulnerabilidade podem implicar para o sistema financeiro”, a dívida dos grupos mais frágeis ou que podem tornar-se frágeis – um risco materializado entretanto pela crise – “pesa relativamente pouco no total”. Os bancos podem ainda recorrer aos 12 mil milhões de euros do programa de ajustamento, como adiantou ao i a troika. O relatório publicado ontem mostra que em termos gerais as famílias continuam com capacidade para cumprir. No universo de 38% de agregados que têm dívidas (mais de 60% não tem) a taxa mediana de esforço é de 16%. A limitação das situações de vulnerabilidade deve-se ao nível baixo da taxa de referência (Euribor) e às práticas dos bancos (como prazos de pagamento prolongados). O inquérito do Banco de Portugal incide também sobre a riqueza dos portugueses e confirma a desigualdade grande no país (ver gráficos) – a maior de um país europeu no universo das economias avançadas que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE). |
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