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Grécia.
Bruxelas suspira de alívio depois da vitória dos conservadores
Conservadores recuperam votos e conseguem ganhar mesmo com grande subida do Syriza
[ António Rodrigues, Jornal i, 18-06-2012] | 0 comentários
Afinal os gregos tiveram medo da mudança radical. Assustados com a possibilidade de sair do euro e acabar ainda piores do que estão, deram a vitória nas eleições gerais de ontem, por margem mínima, aos conservadores da Nova Democracia (ND). Que vê a sua votação subir bastante em relação a 6 de Maio: a confirmar-se a projecção do Ministério do Interior, o partido de Antonis Samaras consegue 29,53% e sobe mais de 10% em relação aos 18,85% com que ganhou as eleições há mês e meio. E Samaras, no seu discurso de vitória, garantiu que o plano de austeridade trará “empregos, desenvolvimento, justiça e segurança aos cidadãos gregos”.

Desde as primeiras sondagens à boca das urnas que os resultados eleitorais apontavam para uma vitória por curta margem da ND. No entanto, pelo menos uma das sondagens chegou a apontar o Syriza como vitorioso – a coligação da esquerda radical até se apresentou como partido nestas eleições para obter os 50 deputados suplementares entregues ao vencedor.

Finalmente, foi preciso esperar pelas projecções do Ministério do Interior para chegar a uma conclusão: a ND ganhou por uma unha negra mas a sua vitória dá--lhe os 50 deputados extra que lhe permitirão formar governo com os socialistas do PASOK – se estes mudarem de ideias e aceitarem entrar num executivo sem o Syriza.

A ironia das ironias é que os socialistas que já tinham enfrentado uma hecatombe a 6 de Maio, conseguiram ainda cair mais, passando para 12,2% e ficando com uma bancada parlamentar de apenas 23 deputados – em 2009 ganharam as eleições com maioria absoluta de 160 deputados e a 6 de Maio tiveram 41. Mesmo assim, a sua punição nas urnas poderá vir a ser recompensada com uns ministérios se a sua vocação de poder prevalecer, e o PASOK junta os seus 23 deputados aos 128 da ND para formar um executivo que terá maioria por uma unha negra: 151 deputados em 300.

No entanto, sem o PASOK e sem os Gregos Independentes, quarta força mais votada com 7,56% dos votos e 20 deputados – que voltou a reafirmar ontem a sua indisponibilidade para apoiar um executivo favorável ao plano de austeridade –, o caminho para formar um executivo estável torna-se muito mais difícil para Samaras.

“O governo da ND tem de ter em conta que nos grandes temas não pode prosseguir, como estava habituada, sem ter as pessoas em conta”, afirmou Alexis Tsipras no seu discurso de reconhecimento da derrota.

Samaras falou em não ter tempo para “a pequena política” e – “neste momento significativo para a Grécia e o resto da Europa” – lançou o convite aos partidos favoráveis à manutenção do plano de austeridade para “participarem nesta união”, isto é, um governo de unidade nacional. Temos de ter “continuidade”, disse Samaras no seu discurso de vitória, “quando tudo está a cair – a economia, a sociedade” e sublinhou que o seu governo será feito de “uma nova unidade com directivas europeias”.

O tom do discurso do líder conservador grego foi propositadamente calmo: “A Grécia tem de ser governável e teremos um governo” que cumprirá as exigências do plano de resgate financeiro: “As nossas obrigações serão as políticas necessárias do nosso governo”. E em inglês sublinhou que o seu partido honrará os compromissos com a troika e sublinhou que se tratava de uma vitória para a Europa.

Mudanças Um em cada três eleitores mudou o sentido de voto das eleições de 6 de Maio para estas, segundo um estudo da televisão estatal NET, mas houve partidos que não sofreram flutuação de votos como davam as sondagens, nomeadamente o partido neonazi Aurora Dourada que obteve 6,95% e terá uma bancada parlamentar de 18 deputados – mesmo assim, menos três que a 6 de Maio.

O mesmo já não se passou com os intransigentes comunistas do KKE que perdem, segundo os cálculos do Ministério do Interior, nove deputados em relação às eleições de 6 de Maio e ficam com uma bancada de 12 lugares no parlamento. O partido da Esquerda Democrática (DIMAR), de Fotis Kouvelis, também perdeu ligeiramente algum do apoio que conquistara a 6 de Maio, fruto, com certeza, de uma tendência de voto útil do seu eleitorado no Syriza. Perdem apenas 0,12% dos votos mas que se reflectem em menos dois deputados para o DIMAR que ficará com 17.
 

 
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