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Inversão de tendência
Há cada vez mais portugueses qualificados a irem trabalhar para o estrangeiro
[Vítor Costa, Público, 02-04-2007] | 0 comentários
Portugal foi, nas décadas de sessenta e setenta, um país que exportava mão-de-obra. Depois disso, já nos anos 90, assistiu-se a uma inversão e o país passou a receber trabalho, principalmente dos países de Leste e de África. Actualmente assiste-se a uma nova inversão de tendência, com muitos portugueses a saírem do país à procura de novas oportunidades. A novidade agora é que essa exportação de mão-de-obra se faz a níveis bastante mais qualificados. Quem o diz é Ana Rute e John P. Duggan, da PricewaterhouseCoopers.

"Temos notado uma inversão na tendência. Enquanto, há uns anos, principalmente no início dos anos 90, havia muitos estrangeiros a vir para Portugal, o que notamos agora, e cada vez mais, é muitos portugueses a irem para fora. Inclusivamente nas própria universidades, muitos dos recém-licenciados já nem concorrem a posições em Portugal, concorrem logo a posições no exterior porque há a sensação de que o mercado em Portugal está estagnado e que não há grandes oportunidades", sublinha Ana Rute, directora do departamento de Assessoria Fiscal da PwC. Também John Duggan, Partner da PwC, recorda que está em Portugal desde 1991 e que nessa data, num processo de modernização de rede de telecomunicações, a empresa em que estava a trabalhar chegou a ter quase 100 expatriados, pessoas que vinham maioritariamente dos Estados Unidos da América. "Hoje em dia, a mesma empresa está a exportar portugueses para outros países", sublinha.
Mas esta exportação de mão-de-obra qualificada portuguesa não choca com a necessidade que Portugal tem de qualificação no trabalho? "Portugal necessita de pessoas com qualificação técnica elevada, e está a fazer um esforço nesse sentido, mas, ao mesmo tempo, não há ainda uma consciencialização de que os nossos licenciados, principalmente os melhores alunos, estão a sair do país", sublinha Ana Rute.
 

 
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