![]() | “Não serei candidato em nome de nenhum partido. Serei candidato por Portugal.” Manuel Alegre |
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textos seleccionados. A grande desilusão? Um governo de tipo esquerda plural estimularia a clareza das alternativas que são presentes ao eleitorado [Abdré Freire, Público.pt, 11-05-2009] | 13 comentários Muito se tem discutido a reedição do Bloco Central (BC): uma coligação de governo (ou um acordo parlamentar) entre PS e PSD, caso o vencedor das próximas legislativas não tenha maioria absoluta. Várias tomadas de posição apontaram neste sentido. Primeiro, o Presidente, ao referir, no seu discurso do 25 de Abril, a necessidade de (todos) os partidos cooperarem... Naturalmente, um eventual BC dar-lhe-á mais relevo, pois aparecerá como um facilitador de entendimentos entre o PS e o seu partido (de origem). Por motivos simétricos, o BC será a solução que mais dificultará a afirmação vitoriosa de uma candidatura presidencial vinda da esquerda. Segundo, Ferreira Leite também admitiu (implicitamente) o BC. Terceiro, seguiram-se-lhes as declarações no mesmo sentido de ilustres socialistas e de alguns empresários. Finalmente, algumas sondagens apontaram não só num reforço da bipartidarização mas também numa aproximação de resultados entre PS e PSD. Já aqui reflecti sobre a questão do BC e das eventuais alternativas (23/6/08), mas impõe-se um regresso ao tema, reflectindo não só sobre algumas das vantagens e desvantagens de cada uma das soluções, mas também sobre o papel que Alegre (e os seus apoiantes) poderia(m) ter numa eventual viabilização de alternativas (de esquerda) ao BC.
Uma prestigiada jornalista escreveu no jornal i (7/5/09) que uma das vantagens do BC seria a estabilidade. Nada mais discutível. Quando teve lugar (1983-85), o dito apenas conseguiu cumprir metade da legislatura (24 meses): menos do que a segunda Aliança Democrática (28 meses), menos do que a recente coligação PSD-PP (35 meses) e ex aequo com o segundo Governo de Guterres. O BC conseguiria um grande respaldo parlamentar para aprovar um duríssimo programa de austeridade cujas agruras recairiam, sobretudo, sobre os de sempre... mas uma maioria sobredimensionada não é sinónimo de uma maioria coesa, antes pelo contrário. E um governo de tipo esquerda plural, isto é, juntando o PS e um ou até os dois partidos da esquerda radical (BE e PCP)? Seria possível? E que vantagens teria face ao BC? Para começar, refira-se que tais soluções são muito comuns na Europa Ocidental, sobretudo juntando sociais-democratas com "socialistas radicais"/esquerda libertária (a família do BE) e "renovadores comunistas". Já aqui escrevi sobre isto (19/1/09), nomeadamente baseando-me num estudo editado pela Fundação Friedrich Ebert: Contemporary Far Left Parties in Europe. From Marxism to the Mainstream?, 2008. Uma solução deste tipo teria várias vantagens face ao BC. Primeiro, estimularia a clareza das alternativas que são presentes ao eleitorado, condição sine qua non para uma democracia de qualidade: o contrário do que hoje acontece e que se agravará muito com o BC. Segundo, evitaria a cartelização do sistema político por via de uma inflexão maioritária no sistema eleitoral, muito provável com o BC, esmagando artificialmente a representação parlamentar dos pequenos partidos. Terceiro, aquilo que nós temos tido desde 1987 tem sido sobretudo uma alternância dos partidos do BC e, apesar de algumas melhorias, os grandes problemas permanecem: enormes desigualdades sociais; um padrão de especialização da economia que nos deixa especialmente vulneráveis à liberalização do comércio mundial; uma dependência energética que agrava brutalmente o nosso défice externo; uma baixa estrutura de qualificações da população. Acresce que, se a crise mundial se deve às políticas de liberalização tão aclamadas (na sua prática política) pelos dois partidos do "centrão", então provavelmente seria desejável inovar politicamente... Naturalmente, uma solução tipo "esquerda plural" teria a oposição dos empresários e dos directores dos jornais, que têm horror à esquerda radical, mas seria um grande teste de maturidade democrática: evidenciaria não só que os votos da maioria dos portugueses contam mais do que os votos dos empresários e dos directores de jornais, como é natural em democracia, mas também evidenciaria a maturidade do nosso sistema político (a esquerda radical ser capaz de assumir responsabilidades e não se limitar apenas a criticar). Claro que para tal acontecer seria necessário um "dupla ruptura", como Alegre bem referiu: os socialistas precisavam de reconhecer que, se se aproximassem mais dos partidos à sua esquerda, e não dos outros, como têm efectivamente feito, poderiam formar um bloco político (e social) mais forte no combate às desigualdades, em geral, e à direita social e política, em particular; a esquerda radical precisava não só de ultrapassar algum do seu sectarismo e da sua cultura de contrapoder, mas também de deixar de fazer do PS o seu principal adversário. Já se percebeu que, com os protagonistas em presença, tal dificilmente acontecerá. Por um lado, este PS nunca mudará por dentro e não é só por causa do líder. Mais: institucionalmente, Alegre (e os seus apoiantes) não conta(m) nada dentro do partido. Acresce que uma espécie de coligação dos alegristas com o PS é uma solução pouco democrática (seria apenas uma concessão artificial do líder com medo de perder o poder...) e pouco transparente. Alegre poderia mudar o PS por fora: criando uma nova força política (por exemplo, capitalizando a estrutura do MIC em coligação com a "Renovação Comunista") e concorrendo às eleições. Poderia assim impulsionar uma eventual mudança de líder que desse lugar a alguém (por exemplo, António Costa) mais talhado para conversar com a esquerda radical. Por outro lado, compreensivelmente, esta não só dificilmente falará com Sócrates como precisava muito de um choque que a obrigasse a uma inflexão pragmática. Também aqui um novo partido poderia fazer a diferença... Porém, tudo aponta para que Alegre tenha abdicado de correr riscos e de ser consequente. É que não basta ser contra o BC, é preciso trabalhar para as alternativas... Politólogo, ISCTE (andre.freire@meo.pt) [13] PARA ALÉM DE.............. Maria Amélia Campos, 2009-06-07 00:02:51 Caro André,
Não sei se estou entre as "certas pessoas que....."mas garanto-lhe,da minha parte não interiorizei nada o "discurso hegemónico no PS..." . Noutro ponto tem total razão, ninguém - pelo menos no que me toca - me obrigou a nada. Não tenho nada, mas mesmo nada a perder, mas tenho a ganhar com a minha consciência, pois uma vez que deixámos passar a oportunidade e a "boa onda", não seria oportuno, agora, entrar em aventuras que não aproveitariam a ninguém. No entanto, cada um é livre de tomar as atitudes que entender. Por mim - e considero ter visão -, há ainda muito a debater e a projectar, para então podermos correr os riscos que forem necessários. Mas compreendo, mais do que nunca, o desencanto dos mais novos. Pudesse eu modificar este quadro e seria a primeira a dar um passo em frente. Porém é preciso termos bem a noção de que um nome sonante, uma figura forte e carismática não bastam para construir uma alternativa do pé para a mão. Para além da necessidade, da oportunidade e da votade dos participantes, é preciso criar inúmeras condições, nomeadamente financeiras. [12] A solução realista João Pedro Bernardo, 2009-05-21 10:23:00 Apesar de não ser militante nem simpatizante do PS, sou obrigado a concordar com o Elísio Estanque. Formar um novo partido nesta fase é inviável e mais inviável se torna se não tiver o apoio de um figura de grande cariz, como é o caso de Manuel Alegre. Para formação de um partido político em Portugal com possibilidade de ter uma representação parlamentar que possa condicionar a governação, não basta ter militantes empenhados e qualificados para travar o combate político, é necessário ter um líder ou um conjunto de personalidades bem conhecidas que estejam envolvidas. Isto torna credível um projecto ao olhos de muitos eleitores, especialmente numa época em que a personalização da política é uma evidência. Sem o Manuel Alegre, os restantes membros do MIC ou da OPS não têm uma capacidade aglutinadora capaz de captar importantes camadas do eleitorado. Por outro lado, embora tenha defendido a criação de um novo partido, igualmente tenho entendido, que esse novo partido não poderia ser uma mera organização criada numa lógica de combate ao PS, é necessário pensar que espaço político e ideológico é este, se é que existe, que se aglutinou em volta de Manuel Alegre, seja no MIC, seja na OPS. Será também relevante analisar se o MIC e a OPS, são ou não capazes de dar contributos e de condicionar ou influneciar a criação de uma nova política de esquerda. As noticias que tenho lido na imprensa não são muito animadoras, pois parece que na bancada socialista os alegristas irão desaparecer, o que levanta o problema de qual o futuro desta corrente no seio do PS, independentemente do percurso político do próprio Manuel Alegre. Seja como for, o timing para a constituição de uma nova força política antes das eleições já não existe. É inevitável que os apoiantes do MIC e todos aqueles que apoiaram Manuel Alegre tenham de tomar a opção de saberem se votam nas próximas eleições e em caso afirmativo, em que partido entre aqueles que já existem. Esta é a melhor solução? Não, mas face ao quadro actual, parece-me ser a única possível. O futuro, pensado com maior tranquilidade, sem a pressa de constituir listas, de criar e organizar um partido a tempo de concorrer aos actos eleitorais mais imediatos, poderá apresentar novas soluções. Mais vale ir mais devagar, mas de forma mais sólida, do que ir demasiadamente depressa, e ao primeiro contratempo ter o destino como o PRD, partido a que a falta de substância ideológica somada a alguma inexperiência dos seus líderes à época ditou o fim. [11] Estou à espera Luis Augusto Fonseca Costa, 2009-05-17 04:08:22 Estou também aqui à espera de ouvir André Freire,Elísio Estanque,Helena Roseta(que rico trio de ataque para um novo Partido!)Maria Amélia Campos,Jorge Silva,José Luis Sarmento,Maria Lopes e José Gabriel.
Oh Eduardo Milheiro com estes já seriam catorze!VAMOS A ISSO! [10] Rejoinder André Freire, 2009-05-16 23:58:26 Obrigado por todos os vossos comentários.
Penso que o Alegre desistiu mesmo de correr riscos e de ser consequente. Mais a decisão recente aponta mesmo para que considerações tácticas se tenham sobreposto a tudo o resto. Até porque os dados do problema (um BE pouco pragmático, um PCP demasiado conservador/ortodoxo, etc.) já existiam há muito, nomeademante nos tempos do forun das esquerdas... Não perceberam isso aí? Custa-me é ver certas pessoas que eu muito aprecio a interiorizar o discurso hegemónico no PS (liderado por Sócrates mas livremente seguido pela esmagadora maioria: e não é por medo, o líder não os obrigou a nada... quanto muito será o medo de perder o lugar... mas este medo envorgonha a República..., nada mais) e a subscreverem 1) o discurso da ingovernabilidade (pois só PS conseguem governar... e precisará até de maioria absoluta... so they say...) & 2) o discurso completamente desculpabilizador para o PS da radicalização das outras esquerdas e da sua indisponibilidade para governarem ( mas o PS já assumiu a sua fortissima inflexão para o centro-(direita)? e que fez para a corrigir? e a esquerda radical alguma vez, no passado, foi efectivamente convidada para o governo, ou acordos de incidência parlamentar?)... Claro, era preciso correr riscos e ter visão... Mas parece que a táctica prevaleceu sobre tudo o resto... Veja-se a este respeito o editorial do Manuel Carvalho no Público de sábado, 16/5/089. [9] A grande desilusão! maria lopes, 2009-05-16 00:33:28 É uma pura ilusão pensar que Alegre terá alguma influência no PS de Sócrates. Meia dúzia de lugares no Parlamento e o assunto fica resolvido. A reacção de Sócrates à decisão de sai mas fica foi bem elucidativa. O PS só "retornará" à sua matriz socialista se externamente for obrigado a isso. A história do SPD alemão desde Schroeder está aí para se aprender com ela. Só o aparecimento do Die Linke levou a uma (ainda) tímida mudança na orientação neoliberal dos sociais-democratas.
Mais uma oportunidade perdida, mas cada PS tem o "lafontaine" que merece... [8] Voar em círculo jose Gabriel, 2009-05-15 15:28:16 Voar em círculo
È apanágio da maneira de ser do povo Português… falar muito e fazer pouco! O Artigo do André Freire é excelente. Há um ditado que diz: “quem não me acompanha é porque me está a atrasar” Se não querem fazer nada, se só se prestam à desmobilização, se têm receio, se são hipócritas ou então cínicos…e papagaios democratas, com saudades da voz do dono – votem no P.S. Eu acompanhei o movimento espontâneo do Manuel Alegre à presidência e acompanha-lo-ei agora às legislativas. Manuel Alegre quer incentivos e pessoas que trabalhem. Não quer vendedores da banha da cobra nem palrradores! [7] Novo Partido? Como e quando? Elísio Estanque, 2009-05-14 16:49:46 Meu caro André,
Acho que "uma solução do tipo esquerda plural" até faria sentido e talvez até fosse um bom ponto de partida para realizar as políticas de desenvolvimento de que o país precisa. Mas isso é um cenário abstracto e inverosímil. É pura especulação teórica. Basta olhar para a história da democracia portuguesa, e para o pós-25 de Abril de 74 para se perceber que as grandes clivagens, a divisão de campos na ideologia e na política portuguesa, se travou entre o PS e o PCP. Portanto, creio bem que esquerda plural com o PC, nem pensar. Depois, a extrema-esquerda, que boa parte veio a integrar o Bloco, também continua animada por uma lógica radical e de contra-poder, que, diga-se, na conjuntura actual tende até a acentuar-se. A radicalização anti-governo Sócrates tende a confundir-se com uma atitude anti-PS. E quem ganhar votos na base de uma discurso anti-PS, não pode a seguir vir aliar-se ao PS para tornar o país governável. (e isto aplica-se igualmente ao cenário do Bloco Central -- que, acho muito difícil; se acontecer, muita água há-de correr debaixo das pontes... do PS). Ou seja, essa dita solução não se vai colocar nos próximos tempos. Concordo, no entanto, que seja viável e até inevitável uma viragem profunda no nosso xadrez político-partidário no médio prazo. E aí sim, novas forças, movimentos e partidos terão de emergir. Agora, um novo partido liderado por M Alegre nesta conjuntura pré-eleitoral parece-me absolutamente irrealista, e inviável (por razões muito diversas). Se tivesse surgido após as presidenciais, ou mesmo após os foruns das esquerdas, aí sim, as coisas teriam sido diferentes. Depois, neste caso tudo está muito dependente da vontade e da motivação do principal personagem. Acresce que, se a corrente alegrista conseguir preservar o seu espaço e for efectivamente reconhecida como consciência crítica interna do PS -- mantendo a sua autonomia e coerência --, pode ficar em melhores condições para influenciar o futuro do partido e da política portuguesa. [6] É por não ter nenhum Óscar Lafontaine Luis Augusto Fonseca Costa, 2009-05-13 01:20:20 E é exactamente por não ter nenhum OsKar Lafontaine e acrescentarei mesmo,por não precisar de ter nenhum Óscar Lafontaine,porque tem muitos Óscares Silvas, Óscares Costas,Marias Óscares,Joaquinas Óscares,etc e tal,com suficiente força,carisma e raça para agarrarem no barco e o porem a navegar nos trinques,que o nosso País irá mesmo para a frente e bem! Todos unidos, com Partidos novos ou com grupos de cidadãos independentes, a trabalharmos todos no duro, com vontade, firmeza, honestidade, esperança e convicção,construiremos uma sociedade nova,um País diferente para melhor, onde todos caibamos e nos respeitemos e onde as desigualdades sejam menos acentuadas do que são hoje. [5] Alternativas maria lopes, 2009-05-12 12:32:25 Pois é, um dos dramas da social-democracia/socialismo democrático português é não ter nenhum Oskar Lafontaine. [4] Bloco Central e legitimidade democrática José Luiz Sarmento, 2009-05-12 11:51:37 Ao défice de legitimidade inerente a todas as coligações pós-eleitorais, um Bloco Central somaria, nas circunstâncias presentes, factores de ilegitimidade que seriam porventura determinantes.
Muitos cidadãos preparam-se para votar contra o bloco central dos interesses. Não sei, e não acredito que alguém saiba, se estes cidadãos constituem a maioria. A única maneira de o saber seria o PS e o PSD formarem uma coligação pré-eleitoral e apresentarem a sufrágio um programa - e é claro que isto não vai acontecer. Em todo o caso, se não são maioria, são com certeza uma minoria significativa, como indicia o facto de a relação entre o poder político e o poder económico estar há meses no centro do debate político. Se o Bloco Central se formar, e se a maioria dos eleitores sentir que com isto lhes está a ser imposto o contrário daquilo em que votaram, então Portugal ficará na situação anómala de os os órgãos de soberania funcionarem contra o Soberano. A transmutação da legitimidade eleitoral em legitimidade política, que, no decurso normal das coisas, ocorre aquando da aprovação pelo Parlamento de um programa de governo, não ocorrerá; um tal governo terá legitimidade legal e formal, mas não lhe será reconhecida pelo Soberano qualquer espécie de legitimidade política, e muito menos de legitimidade democrática. E então, sim: o País ficará ingovernável. [3] Trabalhar para as alternativas jorge silva, 2009-05-11 19:42:16 Os meus parabéns pela lucidez do artigo e... pela actualidade do mesmo.
De facto numa semana de clarificações ( espero eu que as haja finalmente ) o seu artigo não poderia ser mais oportuno. Há quem esteja a trabalhar e muito, pelas alternativas. Pode crer. Mas ao nível do cidadão anónimo(pelo menos para empresários e directores de jornais). Esperemos que resulte. Cumprimentos Jorge Silva Ex-mandatario da C.Presidencial de Manuel Alegre Viseu [2] Foi chão que só deu uvas para alguns Luis Augusto Fonseca Costa, 2009-05-11 19:33:09 Isso de BC foi chão que só deu uvas para alguns e agora ainda daria para menos que as tetas estão mais secas!
Se se lhes juntasse o BE dava BCBE ou o PCP daria BCPCP.Como a aplicação do princípio da eliminação de consoantes repetidas no mesmo simbolo ficaria BCE ou BCP,o que soaria sempre muito a choco,porquanto simbolizam duas instituições muito "chocadas" "chuladas" e "apalpadas". Por tudo isso, essas coisas me cheiram muito mal!Eu quero gente a governar bem,a pensar com o povo,preocupada em ouvir o povo,em conhecer os problemas do povo e a resolver bem os seus problemas e sendo necessário sentar-se no campo ou na oficina ao lado do povo ! Gente dessa,saída do Povo e que saiba o que é viver no meio dele! O resto é paleio e conversa! [1] O Centrão faz algum sentidp? Maria Amelia Campos, 2009-05-11 15:24:42 Meu caro André,
Pensa mesmo que a reedição de um Bloco Central, na actual conjuntura política, teria algo a ver com a 1ª edição? Penso que não. A haver um BC II, este seria de características completamente imprevisíveis. Além do mais, as sondagens indicam que PS e PSD estão demasiado próximos em intenção de voto, mas nada nos leva a imaginar uma possibilidade de aproximação, a começar pela incapacidade de refundir programas e de aproximar a vontade dos militantes, mesmo em nome da “estabilidade”, eufemismo de uma “paz podre” que acabaria de vez com a possibilidade de nos reerguermos. Relativamente ao papel de Manuel Alegre e seus apoiantes, poderem vir a protagonizar uma alternativa do tipo esquerda unida, parece-me que ficou claro, no encontro do Chiado, que esse acordo não seria possível, pelo menos a curto prazo. Senão, vejamos: o Bloco de Esquerda conquistou um espaço muito próprio e não me parece que o queira entrosar ou partilhar com um movimento que tem um líder forte e carismático como Manuel Alegre. Relativamente à CDU – que até se queixou de exclusão -, não vejo como poderia entrar numa alternativa do tipo Esquerda Unida. Só haveria uma solução, a de Manuel Alegre formar um novo partido, e aí sim, recuperar o seu espaço e acrescentá-lo com os inúmeros dissidentes e descontentes. Mas, para isso, seria necessário ter tempo, condições financeiras e vontade. Apoiantes não lhe faltariam, mas tempo e condições é que não as há, pelo que M.Alegre já concluiu nesse sentido. Sem antecipar cenários que só a Manuel Alegre cumpre “desvendar”, só vejo uma saída: “tocar a reunir com o pessoal da caserna”, e respeitinho uns pelos outros. De resto seria mesmo estúpido ir fazer alianças com outros partidos, quando se podem fazer alianças e pactos dentro próprio PS. Para isso só bastaria o entendimento de que divergir não é trair. Será pedir muito a um partido que se deixou estreitar e fragmentar por um comportamento unanimista, mas que, para sobreviver, não rejeitaria fazer acordos mais ao centro? Isto faz algum sentido? Ainda relativamente às últimas polémicas vindas a público, entre as já conhecidas figuras do PS. Que mal há nisso? Para mim, isto são sinais de abertura e de liberdade. São o sal da vida política. É a prova de que o partido pode ir no sentido da maioridade e não tem que ter medo de expor aquilo que para outros são fragilidades. Afinal, ser humano não é ser perfeito! Para quê tanto drama? |
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