“Não serei candidato em nome de nenhum partido. Serei candidato por Portugal.” Manuel Alegre
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A secção "Opinião publicada" deste sítio é uma montra de artigos relevantes, publicados nos media, com indicação do autor e da fonte. É mais um contributo para o debate. A selecção de textos é da nossa exclusiva responsabilidade e não envolve os autores dos textos seleccionados.

PORQUÊ ALEGRE?
[Moura e Sá, 04-02-2010] | 0 comentários
Estamos a um ano das eleições presidenciais, podendo por isso dizer-se que a apresentação da candidatura foi um pouco prematura. Mas a mesma não condiciona a posição de qualquer cidadão, muito menos de um grande partido como o PS, nem se deixa aprisionar nos limites de qualquer partido. É um acto decidido por Manuel Alegre que agora verá uma corrente crescente de apoios e, tal como a água de um rio caudaloso, se tornará invencível.

Não estive com Alegre nas anteriores eleições presidenciais. Hoje decidi, sem hesitar, que ele seria o meu candidato. Perguntar-me-ão se me identifico totalmente com o cidadão candidato. Naturalmente que não. No entanto é seguramente muito mais o que nos une que as diferenças que nos separam. Numa fase complexa da nossa vida colectiva, num Mundo onde a defesa dos valores se torna crescentemente mais importante, parece-me que dificilmente poderíamos ter um candidato que melhor se identificasse com os valores de Abril e com os combates por uma democracia pluralista. Na Presidência da República quero ver, de novo, um português identificado com a nossa História colectiva, que sente os combates contra a pobreza, e que, por um passado de luta e coerência, nos possa, numa perspectiva suprapartidária, garantir um pouco de sonho, e pela sua visão poética nos dê o caminho da esperança no futuro. Um cidadão que se identifica com a luta contra o fascismo que motivou muitos da minha geração, um cidadão que, mesmo numa complexa situação económica, nos permitirá sonhar com Portugal, como dizia Ruy Belo “ só sei que tinha o poder de uma criança, entre as coisas e mim havia vizinhança, e tudo era possível era só querer…”.
E esse poder de querer, esse poder de sonhar, o poder dos que precisam de voz, será a força de uma candidatura sem compromissos, a razão do empenho de muitos cidadãos livres que na altura oportuna darão cor a um novo caminho na estrada sem fim da construção do futuro.
Reconhecer as dificuldades, pretender o realismo não pode traduzir-se num permanente pessimismo, nesta tendência de não salientarmos nem valorizarmos a nossa capacidade de vencer a adversidade. Profetas da desgraça, tecnocratas que vêem no agravamento da situação dos mais desfavorecidos a solução para a crise, não serão a força mobilizadora do País, não contribuirão para uma maior igualdade social. Por isso agora Alegre, um homem de cultura, de sonho, de luta, de valores. Um homem da República no seu centenário, um exemplo de liberdade, igualdade, fraternidade e solidariedade.
Essencialmente uma candidatura que nunca será contra ninguém, mas pela positiva, pela afirmação, pela pluralidade, pelos que se têm de reconhecer na política que por vezes os afastou, destruindo-lhes os mitos e os sonhos.
Agora vamos enfrentar este ano difícil, vamos preparar a tempo as eleições presidenciais de 2011, para termos na Presidência o espírito da poesia, a vitória sobre os Adamastores, uma identificação com todos os portugueses, uma consciência daquele Portugal sem voz - um cidadão que serviu e lutou pela liberdade.
 

 
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