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textos seleccionados. O fio do horizonte A favor e contra [Eduardo Prado Coelho, Público, 18-01-2007] | 3 comentários É óbvio, mete-se pelos olhos dentro, só não vê quem é cego, e o pior cego é o que não quer ver, que a Igreja está a fazer uma denodada campanha contra o aborto e a incitar toda a gente a que se vote "não". Mas quando perguntam a monsenhor Luciano Guerra se o Santuário de Fátima é a sede da campanha da Igreja a favor do "não", ele responde com a maior serenidade: "Não há uma campanha da Igreja. O que há é uma evangelização em defesa da vida." Há por vezes entrevistas que nos deixam estupefactos. Não é que tenhamos algo de pessoal contra aqueles que as dão, e podemos mesmo saber muito pouco sobre eles. Mas lemos e sentimos, do mais fundo da nossa alma, uma verdadeira indignação. Como é possível? Como é possível que se tenha o desplante de dizer estas coisas?
Neste caso que hoje me ocupa, estou a referir-me a uma breve entrevista concedida ao Diário de Notícias por monsenhor Luciano Guerra, reitor há 34 anos do Santuário de Fátima. É claro que o esclarecimento e a tolerância se não medem: tal e qual como no PCP, pelos anos de clandestinidade, e no tempo em que se foi reitor do Santuário de Fátima. É óbvio, mete-se pelos olhos dentro, só não vê quem é cego, e o pior cego é o que não quer ver, que a Igreja está a fazer uma denodada campanha contra o aborto e a incitar toda a gente a que se vote "não". Mas quando perguntam a monsenhor Luciano Guerra se o Santuário de Fátima é a sede da campanha da Igreja a favor do "não", ele responde com a maior serenidade: "Não há uma campanha da Igreja. O que há é uma evangelização em defesa da vida." O menos que podemos dizer é que esta resposta é feita de hipocrisia. O que me parece bem pouco católico. Deus às vezes cochila, mas não dorme. Mas pergunta o jornalista algo admirado: "Qual é a diferença?" Responde monsenhor Luciano Guerra: "Se (partidos e movimentos) se dirigem à cabeça das pessoas, estão a evangelizar, mas, se se dirigem à vontade das pessoas para irem votar, estão a fazer campanha." Fala-se hoje muito na inteligência emocional e António Damásio teve um papel determinante em relação a isso. Mas compreende-se que estas coisas recentes ainda não tenham chegado a Fátima e que monsenhor Luciano Guerra as ignore soberanamente. Nova pergunta: "A Igreja não está a apelar à participação no referendo?" Cada pedra, uma minhoca. Que responde monsenhor Luciano Guerra? "Em princípio, a Igreja não vai apelar ao voto, vai abster-se porque a vida humana não deve ser referendada." Mais uma vez a hipocrisia entra em cena, monsenhor Luciano Guerra, mesmo que não leia jornais, não ouça rádio ou não veja televisão, sabe que a Igreja tem apelado à participação. Vamos a coisas mais gerais. A pergunta seguinte é sobre a diferença entre descriminalizar e penalizar, e monsenhor Luciano Guerra diz: "Entendo que todo o mal tem uma pena, até para correcção do mal. Mas às vezes pode haver atenuantes, por exemplo, se houver arrependimento." Donde, as mulheres que foram forçadas a fazer aborto devem estar arrependidas daquilo a que foram forçadas. Nova pergunta: "Um crente que pratica um aborto não pode ser absolvido?" Resposta: "Quem teve uma fraqueza e se arrepender é objecto da misericórdia divina." O que espero que suceda em relação às várias fraquezas desta entrevista: "Mas a Igreja Católica é bastante dura e o direito canónico excomunga essa pessoa. A pessoa faz um aborto em plena consciência de que está a fazer um mal." Pois é, monsenhor, quem faz um aborto fá-lo por gosto. E faltava a cereja no bolo. Para ilustrar toda a densidade do seu pensamento, diz "se o marido engana a mulher, é diferente ser no estrangeiro" (suponho que não é preciso ir à Holanda, ele quer apenas dizer que é longe da mulher) "ou à sua frente". Porque se o faz longe, sabe-se. "Mas se faz o mal onde não há contágio, tem uma atenuante." Gostaria que a doutrina da Igreja fosse uma doutrina de generosidade, alegria, amor pela vida. Mas na maior parte das vezes é este conjunto inacreditável, bolorento, enferrujado, de absurdos. [3] Quem é, afinal, cego? Oscar, 2007-01-31 01:29:10 Caro Sr. Eduardo Coelho,
O que dizer de alguém que acusa intolerantemente os outros de falta de tolerância, como acabou de fazer? O que dizer de alguém que acusa hipocritamente os outros de hipocrisia, como acabou de fazer? Julgo que o senhor é um homem bastante inteligente, mas neste caso parece-me que é a sua visão que está algo turva... ou será a sua vontade de ver que não abunda? Hipocrisia não será oferecer às mulheres o aborto como solução, em vez de combater as causas que o originam? Não posso deixar de salientar que muitos dos movimentos favoráveis ao Não têm na sua génese pessoas e associações que apoiam activamente mulheres grávidas em dificuldades, crianças desfavorecidas e famílias carenciadas. Cumprimentos [2] Pastor de rebanhos António Gomes Rebelo, 2007-01-22 15:28:58 Sendo o autor deste texto Pastor Bom, parece que a ser pastor deve ser muito fraco. Seria interessante saber que tipo de ovelhas são o seu rebanho!
Não digas dos outros o que não queres que digam de ti. « Vocês não têm noção alguma daquilo que estão a defender». « Da vossa boca só saem palavras ocas e superficiais». Ora cá está um bom exemplo de respeito pelos outros, da tolerância, do respeito pela liberdade de pensamento, da diferença. Frases como estas não só não ajudam a fazer-se luz, como embrutecem aqueles que procuram a verdade. [1] Equívocos Repetidos [excerto] Pastor Bom, 2007-01-19 14:20:35 Você tem uma confusão dos diabos na cabeça, ó Eduardo Coelho. A Igreja não é o mero conjunto de homens e mulheres que a servem, mas é acima tudo o Mestre. Jesus é que fundou e orienta a Igreja através dos séculos. Nós não acreditamos num Deus que está lá muito longe, nas nuvens! Isso é para os supersticiosos. Nós cremos, sim, num Deus vivo e operante. Como diz S. Paulo: "Se Cristo não ressuscitou, então é vã a nossa fé". E, muito embora manifestando inúmeras fraquezas e imperfeições, nós, os verdadeiros crentes, não queremos é fazer pior que o Judas. E pior ainda que o Judas do Don Brawn. Se formos tíbios e mornos, também na questão abominável do aborto, depois Ele vomitar-nos-á. Não sabe que desde o primeiro momento da concepção está lá uma nova alma? E que Deus habita em cada um de nós? Claro que isso o ultrappassa, mas a realidade não é você que a faz. Tem de viver com ela. Tapar os olhos não adianta.
O doutor queria que ficássemos calados ou andássemos para aí com falinhas mansas e sorrisos para si e os seus acompanhantes? Olhe que a própria democracia seria muito monótona! A firmeza de convicções nada tem a ver com imposição, como erroneamente afirma o seu camarada Manuel Alegre. Isso, como você diz, até entra pelos olhos dentro. Mas pelos vistos você é que ainda não removeu a trave da sua frente, pretendendo tirar o argueiro aos outros. Vê-se que o Eduardo Coelho conhece muito mal a Escritura e tem da própria Igreja também uma pálida imagem. Compreende-se! Falta-lhe cultura religiosa, mas sobretudo espiritualidade. Sem esta ser-lhe-á muito difícil compreender certas atitudes, que nada têm do que julga supor. Com o seu pobre "relativismo" aonde quer chegar? Para que perde tempo a querer julgar quem pensa de maneira diferente e assenta os seus critérios, sim, em fundamentos palpáveis? Reze um pouco, doutor. É um bom conselho... Agir de modo contrário em relação ao aborto é que seria cobardia e traição. Deixar matar inocentes!!! Vocês não têm noção alguma daquilo que estão a defender. Da vossa boca só saem palavras ocas e supercialidades. [...]O tempo passa depressa, Eduardo Coelho... |
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