“É preciso repensar os critérios monetaristas que estão a contaminar a Europa”
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A secção "Opinião publicada" deste sítio é uma montra de artigos relevantes, publicados nos media, com indicação do autor e da fonte. É mais um contributo para o debate. A selecção de textos é da nossa exclusiva responsabilidade e não envolve os autores dos textos seleccionados.

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Contra o medo, liberdade
[Manuel Alegre, 23-07-2007] | 18 comentários
Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo. Contra eles lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á. Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. Mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da Pide. Casos pontuais em si mesmos inquietantes. E em que é tão condenável a denúncia como a conivência perante ela.

Não vivemos em ditadura, nem sequer é legítimo falar de deriva autoritária. As instituições democráticas funcionam. Então porquê a sensação de que nem sempre convém dizer o que se pensa? Porquê o medo? De quem e de quê? Talvez os fantasmas estejam na própria sociedade e sejam fruto da inexistência de uma cultura de liberdade individual.
Sottomayor Cardia escreveu, ainda estudante, que “só é livre o homem que liberta”. Quem se cala perante a delação e o abuso está a inculcar o medo. Está a mutilar a sua liberdade e a ameaçar a liberdade dos outros. Ora isso é o que nunca pode acontecer em democracia. E muito menos num partido como o PS, que sempre foi um partido de homens e mulheres livres, “o partido sem medo”, como era designado em 1975. Um partido que nasceu na luta contra a ditadura e que, depois do 25 de Abril, não permitiu que os perseguidos se transformassem em perseguidores, mostrando ao mundo que era possível passar de uma ditadura para a democracia sem cair noutra ditadura de sinal contrário.
Na campanha do penúltimo congresso socialista, em 2004, eu disse que havia medo. Medo de falar e de tomar livremente posição. Um medo resultante da dependência e de uma forma de vida partidária reduzida a seguir os vencedores (nacionais ou locais) para assim conquistar ou não perder posições (ou empregos). Medo de pensar pela própria cabeça, medo de discordar, medo de não ser completamente alinhado. No PS sempre houve sensibilidades, contestatários, críticos, pessoas que não tinham medo de dizer o que pensam e de ser contra quando entendiam que deviam ser contra. Aliás, os debates desse congresso, entre Sócrates, eu próprio e João Soares, projectaram o PS para fora de si mesmo e contribuíram em parte para a vitória alcançada nas legislativas. Mas parece que foram o canto do cisne. Ora o PS não pode auto-amordaçar-se, porque isso seria o mesmo que estrangular a sua própria alma.
Há, é claro, o álibi do governo e da necessidade de reduzir o défice para respeitar os compromissos assumidos com Bruxelas. O governo é condicionado a aplicar medidas decorrentes de uma Constituição económica europeia não escrita, que obriga os governos a atacar o seu próprio modelo social, reduzindo os serviços públicos, sobrecarregando os trabalhadores e as classes médias, que são pilares da democracia, impondo a desregulação e a flexigurança e agravando o desemprego, a precariedade e as desigualdades. Não necessariamente por maldade do governo. Mas porque a isso obriga o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) conjugado com as Grandes Orientações de Política Económica. Sugeri, em tempos, que se deveria aproveitar a presidência da União Europeia para lançar o debate sobre a necessidade de rever o PEC. O Presidente Sarkozy tomou a iniciativa de o fazer. Gostei de ouvir Sócrates a manifestar-se contra o pensamento único. Mas é este que condiciona e espartilha em grande parte a acção do seu governo.
Não vou demorar-me sobre a progressiva destruição do Serviço Nacional de Saúde, com, entre outras coisas, as taxas moderadoras sobre cirurgias e internamentos. Nem sobre o encerramento de serviços que agrava a desertificação do interior e a qualidade de vida das pessoas. Nem sobre a proposta de lei relativa ao regime do vínculo da Administração Pública, que reduz as funções do Estado à segurança, à autoridade e às relações internacionais, incluindo missões militares, secundarizando a dimensão administrativa dos direitos sociais. Nem sobre controversas alterações ao estatuto dos jornalistas em que têm sido especialmente contestadas a crescente desprotecção das fontes, com o que tal representa de risco para a liberdade de imprensa, assim como a intromissão indevida de personalidades e entidades na respectiva esfera deontológica. Nem sobre o cruzamento de dados relativos aos funcionários públicos, precedente grave que pode estender-se a outros sectores da sociedade. Nem ainda sobre a tendência privatizadora que, ao contrário do Tratado de Roma, onde se prevê a coexistência entre o público, o privado e o social, está a atingir todos os sectores estratégicos, incluindo a Rede Eléctrica Nacional, as Águas de Portugal e o próprio ensino superior, cujo novo regime jurídico, apesar das alterações introduzidas no parlamento, suscita muitas dúvidas, nomeadamente no que respeita ao princípio da autonomia universitária.
Todas estas questões, como muitas outras, são susceptíveis de ser discutidas e abordadas de diferentes pontos de vista. Não pretendo ser detentor da verdade. Mas penso que falta uma estratégia que dê um sentido de futuro e de esperança a medidas, algumas das quais tão polémicas, que estão a afectar tanta gente ao mesmo tempo.
Há também o álibi da presidência da União Europeia. Até agora, concordo com a acção do governo. A cimeira com o Brasil e a eventual realização da cimeira com África vieram demonstrar que Portugal, pela História e pela língua, pode ter um papel muito superior ao do seu peso demográfico. Os países não se medem aos palmos. E ao contrário do que alguém disse, devemos orgulhar-nos de que venha a ser Portugal, em vez da Alemanha, a concluir o futuro Tratado europeu. Parafraseando um biógrafo de Churchill, a presidência portuguesa, na cimeira com o Brasil, recrutou a língua portuguesa para a frente da acção política. Merece o nosso aplauso.
O que não merece palmas é um certo estilo parecido com o que o PS criticou noutras maiorias. Nem a capacidade de decisão erigida num fim em si mesma, quase como uma ideologia. A tradição governamentalista continua a imperar em Portugal. Quando um partido vai para o governo, este passa a mandar no partido que, pouco a pouco, deixa de ter e manifestar opiniões próprias. A crítica é olhada com suspeita, o seguidismo transformado em virtude.
Admito que a porta é estreita e que, nas circunstâncias actuais, as alternativas não são fáceis. Mas há uma questão em relação à qual o PS jamais poderá tergiversar: essa questão é a liberdade. E quem diz liberdade diz liberdades. Liberdade de informação, liberdade de expressão, liberdade de crítica, liberdade que, segundo um clássico, é sempre a liberdade de pensar de maneira diferente. Qualquer deriva nesta matéria seria para o PS um verdadeiro suicídio.
António Sérgio, que é uma das fontes do socialismo português, prezava o seu “querido talvez” por oposição ao espírito dogmático. E Antero de Quental chamava-nos a atenção para estarmos sempre alerta em relação a nós próprios, porque “mesmo quando nos julgamos muito progressistas, trazemos dentro de nós um fanático e um beato.” Temo que actualmente pouco ou nada se saiba destas e doutras referências.
Não se pode esquecer também a responsabilidade de um poder mediático que orienta a agenda política para o culto dos líderes, o estereotipo e o espectáculo, em detrimento do debate de ideias, da promoção do espírito crítico e da pedagogia democrática. Tenho por vezes a impressão de que certos políticos e certos jornalistas vivem num país virtual, sem povo, sem história nem memória.
Não tenho qualquer questão pessoal com José Sócrates, de quem muitas vezes discordo mas em quem aprecio o gosto pela intervenção política. O que ponho em causa é a redução da política à sua pessoa. Responsabilidade dele? A verdade é que não se perfilam, por enquanto, nenhumas alternativas à sua liderança. Nem dentro do PS nem, muito menos, no PSD. Ora isto não é bom para o próprio Sócrates, para o PS e para a democracia. Porque é em situações destas que aparecem os que tendem a ser mais papistas que o papa. E sobretudo os que se calam, os que de repente desatam a espiar-se uns aos outros e os que por temor, veneração e respeitinho fomentam o seguidismo e o medo.
Sei, por experiência própria, que não é fácil mudar um partido por dentro. Mas também sei que, assim como, em certos momentos, como fez o PS no verão quente de 75, um partido pode mobilizar a opinião pública para combates decisivos, também pode suceder, em outras circunstâncias, como nas presidenciais de 2006 e, agora, em Lisboa, que os cidadãos, pela abstenção ou pelo voto, punam e corrijam os desvios e o afunilamento dos partidos políticos. Há mais vida para além das lógicas de aparelho. Se os principais partidos não vão ao encontro da vida, pode muito bem acontecer que a recomposição do sistema se faça pelo voto dos cidadãos. Tanto no sentido positivo como negativo, se tal ocorrer em torno de uma qualquer deriva populista. Há sempre esse risco. Os principais inimigos dos partidos políticos são aqueles que, dentro deles, promovem o seu fechamento e impedem a mudança e a abertura.
Por isso, como em tempo de outros temores escreveu Mário Cesariny: “Entre nós e as palavras, o nosso dever falar.” Agora e sempre contra o medo, pela liberdade.
 

[18] Portugal
Tiago de Pinho Meireles, 2010-02-03 03:02:35
Portugal

Atravesso o vermelho
com ganas de oiro
e de asas abertas
que também rasgam o coiro,
sou livre de curros, arestas e louros,
sou de mim na luta
a espada e o touro.

[17] Liberdade, liberdade ..."
Alice S. Castro, 2007-07-30 20:04:27
Não estava no Continente quando este artigo de M.A. foi publicado no jornal Público.
Quando o li tive mais uma vez um sentimento de "liberdade", semelhante quando da apresentação da sua candidatura à Presidência da República.
Nos últimos tempos um filme que me tem vindo várias vezes à memória é " 1900 " de Bertolucci.
" Tenho por vezes a impressão de que certos políticos e certos jornalistas vivem num país virtual, sem povo, sem história nem memória". diz M.A. no seu artigo.
E é isto que penso que estes filmes de Bertolucci retratam: a postura dos " sem história e memória " versus a postura de quem a não esquece.
Como se diz em bom português " é tudo uma questão de coluna vertebral".
O facto de nas "Funções Nucleares do Estado" ter saído tudo o que tinha um cunho social parece-me paradigmático para a existência de "medo" do futuro.
Na minha opinião é perversa a forma como se tenta condicionar a opinião pública, cantando loas à forma como se está a tentar controlar o PEC, sem a mínima sensibilidade para as suas consequências ao nível da sociedade.
Outro dia, uma amiga que trabalha no apoio social de uma paróquia de Coimbra confidenciava-me que nunca tinha pensado encontrar casos de " classe média", com formação escolar de Ensino Superior, a vender a mobília das casas para poderem alimentar os filhos.
Se isto acontece a este nível, como viverão as pessoas com menores rendimentos?
Dir-me-ão que é o preço que se tem de pagar para o futuro mas, para poder haver futuro tem de existir "o presente".
"Margaritte Yourcenar" diz, no seu livro " As Memórias de Adriano" algo como isto: " entre a morte de César e o nascimento de Cristo houve um período na história em que só existia o Homem".
Mas terá de ser, forçosamente um "homem sem medo, livre"!
O que mais me preocupa é a postura dos quadros dirigentes intermédios que "clonam" a postura autocrática dos governantes para "ficarem bem na fotografia" e não se arriscarem a perder a sua posição.
Mais uma vez obrigada M.A. pela sua "liberdade" que espero que acorde a liberdade de todos nós.

[16] segunda parte
ilidio diniz, 2007-07-30 00:08:43
é pena que aqueles que acreditaram nos valores da revolução Francesa, tenham deixado cair O PS num tal vazio de ideias , que tenham permitido que os novos doutores se apropriassem dos votos dos portugueses que acreditam que a igualdade e fraternidade é possível, para ao inves desses valores, se proponham criar uma sociedade onde os valores do individualismo e do capitalismo puro e duro possam florescer por toda a parte.
Para onde Caminha um partido que perdeu os valores que são seus referenciais Históricos.
para onde caminha este partido quando os seus militantes mais importantes se fazem chamar de doutores à entrada da sua sede e perderam o gosto pelo trato de camarada.
O medo que existe hoje na Sociedade não é medo da Policia nem do Estado, não é o medo da Prisão, por lutar pelos seus ideais , é um medo mais profundo mais subtil mais perigoso, é omedo de perder o emprego , é o medo de cair na pobreza. é o medo de perder a capacidade de alimentar a família, é um medo do futuro que se não vislumbra.

[15] As razoes do medo
ilidio diniz, 2007-07-29 23:55:38
Nunca fui militante ou sequer simpatizante do PS.
O meu percurso foi , o de lutar pela liberdade ao lado de muitas outras pessoas ainda durante os anos quentes de 1975 .
Sendo assim quero começar por dizer que Provavelmente muitas pessoas vão olhar para estas palavras e facilmente dizer, lá esta mais um esquerdista que não concorda com nada .
Pouco importa , como nunca importou saber que da politica nada poderia retirar caminhando ao lado de um partido que se não integrava no sistema .
Mas se ao longo do tempo fui percebendo que os Partidos que se afirmam da classe Operaria confundem a classe operaria e o povo com o Partido e por isso deixaram de ser ideias validas para a criação de um sistema igualitário.
Também percebi , que nada poderia esperar uma sociedade de um partido que confunde e esquece , a igualdade a fraternidade ,e baseia a sua essência num único dos valores da revolução Francesa a liberdade, e ainda assim, confundindo liberdade de ser e de estar com" liberdade" valor do liberalismo que pretende apenas afirmar que somos livres de fazer o que quer que seja , sem olhar a meios
Sem a preocupação de saber o que é que que fizemos com a liberdade que nos foi dada ..
De facto quando falamos de medo hoje, de incapacidade de afirmação individual e de estarmos a viver momentos de viragem que nos dificultam a forma de estar nas empresas e na própria função publica.
Exemplo para toda a sociedade.
Do que Estamos a falar é de um estado e num partido que o dirige de momento e que constrange através do exemplo que dá à sociedade, do caminho que se deve seguir.
assim um estado que se prepara para condicionar a forma de estar dos seus Funcionários, que pretende reformar as contas publicas diminuindo o salário dos seus funcionários e mais tarde começar a despedir sem justa causa , esta a dar um exemplo á sociedade, que tudo é possível.
um Partido que domina um estado que , diz á sociedade despeçam à vontade que depois temos aqui a classe media que vai pagar o subsidio de desemprego. um partido que se apropriou dos valores do socialismo para condicionar a vida da sociedade.
É um partido sem valores .
É um partido à deriva e ao sabor do vento.
É Um partido que mais tarde ou mais cedo deixa de ser valido para Governar um povo que é conduzido a desacreditar na Politica enquanto ideal de vida e projecto de Sociedade .
É pena que aqueles que Verdadeiramente acreditaram nos valores da Revolução francesa e se enquadravam no PS, tenham

[14] NÃO BASTAM PALAVRAS DE ORDEM
Maria Amélia Campos, 2007-07-29 16:30:39
Caro João Correia,
É certo que não podemos teorizar sobre o medo, como estado de espírito na sociedade portuguesa. Nem Jean Cocteau, com a sua peça "La peur" se atreveria a adaptá-la ao nosso caso.
Mas quem nos pede teorias? Já nos acusam de sermos um"bando de sexagenários" e de só "sabermos retórica". Não há já testemunhos suficientes que provem, à evidência, que a insegurança e a falta de confiança geram o medo?
Quem não tem dinheiro para comer, tem medo de passar privações e fome; quem não tem dinheiro para comprar medicamentos, tem medo de sofrer a dor e o abandono; quem não tem dinheiro para pagar uma clínica privada, tem medo de sofrer e de morrer; quem não tem dinheiro para pagar uma casa, tem medo de ser despejado como um pacote de lixo; quem é velho e não tem como garantir a sua subsistência, tem medo do abandono; quem é criança tem o medo que a sua inocência lhe permite. E quem tem medo é infeliz, e não consegue ter motivação para aumentar o seu rendimento de trabalho.
É certo que este é o jogo da "pescadinha de rabo na boca", mas é por aqui que temos de abrir caminho. Assegurar aos cidadãos as condições fundamentais para que assumam a vida com alegria e responsabilidade. Se não lhes dermos isto, como lhes poderemos pedir que participem na democracia representativa? Chamam a isto ser inconsequente? Inconsequentes são os que querem "atirar poeira "aos olhos dos cidadãos!
Para intervir, não bastam palavras de ordem, por muito bem intencionadas que elas sejam, é preciso sentir, sentir o que os outros sentem, sentir as suas angústias, as suas dores, a sua tristeza, o seu abandono, chorar com eles, se for preciso, secar-lhes as lágrimas, as deles e as nossas, e ter a coragem de sorrir para a vida e de esperar um novo dia.

[13] Somos tão jovens e tão inexperientes em Democracia...
Johnny Ribatejo , 2007-07-27 16:53:26
Somos tão jovens e tão inexperientes em Democracia!!! Quer queiremos ou não o espectro da ditadura ainda nos persegue.

Foram 40 anos é certo.Demasiado tempo de falta de liberdade mas que pelos vistos para alguns não serviu de emenda.Parece ser confortável a quem está no poder tentar subjugar as instituições de forma a garantir a sua estada no poder.

E isto não é uma forma de ditadura?Se pensarmos e olharmos para a nossa recente história democratica verificamos que este tipo de "perseguição" não acontece e não é feita por individuos que de alguma forma não se comprometem com a política vivendo a de uma forma livre, correcta e descomprometida e aí sim trabalhando para o bem de todos.

Nada disso nos últimos anos tem acontecido.Quer em termos nacionais e locais tal como cogumelos nascem "profissionais" da politica que se de alguma forma chegaram aos bordos do poder devem no essencialmente a compadrios e favores que um dia ser~lhes ão concerteza cobrados para aí sim sermos todos prejudicados por uma única pessoa interessada somente nela própria.

Reflictamos,pensemos sobre o que pessoas como Manel Alegre têm para nos dizer e passemos então à acção de ideias e actos.

Mudemos a tendencia perigosa que portugal está a tomar.

[12] Contra o faz de conta
José Morais, 2007-07-27 09:55:29
Este PS que nos governa, é um PS faz de conta.
Faz de conta que reforma o serviço nacional de saúde, mas só o faz esboroar. Faz de conta que reforma as leis laborais, mas só vai ao encontro das ambições do grande patronato e das grandes multinacionais. Faz de conta que reforma as leis da segurança social na vertente das aposentações, mas o que pretende é que se trabalhe até morrer. Enfim é o faz de conta... Para cúmulo, na noite das eleições para a câmara municipal de Lisboa, quem pensou que a sala do hotel estava cheia de cidadãos lisboetas, enganou-se porque havia lá gente que não tinha qualquer relação com a capital e agora na mostra do plano tecnológico das escolas foram contratar uma agência de casting, para fazer de conta que aquilo eram professores e alunos de verdade. É um faz de conta.
José Morais

[11] Manuel Alegre - pioneiro
Joaquim Jorge, 2007-07-26 19:52:31
A sua candidatura à Presidência da República, além do seu pioneirismo e mostrar que é possível, permitiu a seguir, o surgimento como cogumelos de movimentos políticos, que tiveram o seu clímax no referendo sobre a IVG. Aliás se há vencedor dessa noite chama-se Manuel Alegre que se sempre lutou pela liberdade de opinião dentro ou fora do espectro partidário. Tivesse ele tido tempo para preparar a sua candidatura e o resultado seria outro, ainda melhor.

As candidaturas independentes em Lisboa, provam que Alegre tinha razão ao alertar para o fechamento dos partidos. O que me parece é que os partidos ao ignorarem estes e outros avisos, um dia, vão tornar-se desnecessários ao sistema político. Os centros de decisão estão cada vez mais fora dos partidos: candidaturas independentes; ONG; grupos de pressão; clubes de reflexão política; etc.

Manuel Alegre que já não é uma criança, tem 70 anos, é de admirar, a sua jovialidade, o seu inconformismo e a luta pelo debate de ideias. O seu artigo é o culminar de vários alertas das suas intervenções. Alegre é um guardião da Liberdade e uma consciência cívica do nosso País. A sua estatura moral ética é intocável. E não me venham com " fantasias" e " clássicos", ninguém tem o monopólio da verdade, da virtude e das soluções .

A política em Portugal deve ser mais sensível, inteligente, pragmática, humilde e prudente. Com este artigo e esta tomada de posição Manuel Alegre, mostrou que está aí para as curvas e não me admira nada que volte a ser candidato a presidente da República. O apoio popular e dos cidadãos mantém-se intacto. O apoio do PS, isso é outra história.

Os partidos actualmente vivem numa redoma e perderam a noção da realidade efectiva.

[10] Caro Manuel Alegre
Anónimo, 2007-07-26 16:13:12
Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo. Contra eles lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público.

As suas palavras são uma verdade, não tenha dúvidas Manuel Alegre, o medo existe, é que sem emprego não há pão para os filhos.

[9] O aparelho
António Bastos, 2007-07-26 16:11:57
O que se passa no PS é o controle exercido pelo aparelho, o seu principal obreiro foi o Jorge Coelho, deixou o caminho aberto para que Sócrates mais a sua politica de direita tomem conta do partido, é que quem não estiver de acordo sofre represálias.

[8] Cada vez mais alto camarada
Manuel Garrido, 2007-07-26 16:10:42
O camarada tem de falar cada vez mais alto, não é alto em termos de potência de voz, é alto, do cimo, porque não tem nada a ver com este PS de Sócrates.

[7] Alegre sempre resistente
António F. Costa, 2007-07-26 16:09:46
Camarada, sinceramente gostei, sei que existem mais camaradas que gostavam de poder dizer o que o Manuel Alegre disse, mas não dizem porque têm medo.

[6] Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não
José Silva, 2007-07-26 15:09:08
O Manuel Alegre é e será sempre um dos grandes símbolos da resistência e da liberdade, não vai ser um neoliberal de direita que vai condicionar a liberdade aos portugueses, lutaremos contra isso.

Obrigado Manuel Alegre pelas suas palavras e pelo seu alerta, estamos consigo na luta que é de todos os democratas e amantes da liberdade.

[5] Manuel Alegre, a voz da consciência deste País
E. Milheiro, 2007-07-26 15:07:49
Manuel Alegre lança um novo aviso que não pode ser ignorado pelos portugueses, o medo existe, não é o medo da prisão ou do exílio como os mais velhos bem se lembram, é o medo do desemprego, da mobilidade, da não promoção, do afastamento, os medos que põem em causa um livre exercício da liberdade efectiva, e da liberdade de expressão.

Temos de lutar permanentemente num país em que a crise politica e partidária atravessa o deserto, temos de dizer que este não é o Portugal que todos queremos e sonhamos, o nosso Portugal não é o do economicismo por troca com a liberdade.

É sempre bom sabermos que temos o Manuel Alegre para lembrar aos mais distraídos que a luta pela liberdade é permanente, força Manuel Alegre, não está sozinho nessa luta.

[4] Contra o Medo, Liberdade
Carminda Valadas Pinho, 2007-07-26 04:22:47
O artigo de Manuel Alegre veio dar de novo alma aos descontentes socialistas.
Concordo em absoluto com tudo aquilo que escreveu no Público.
Eu desfiliei-me do PS em Maio passado porque não acredito na direcção do partido e só ponderarei novamente a minha filiação quando Sócrates deixar de ser o patrão do partido.
É uma vergonha o que se passa hoje em Portugal com este governo que se diz socialista.

[3] Reagir
António Rodrigues, 2007-07-25 20:10:51
Eis pois a minha opinião. Creio que de facto não se deve ter medo, na verdade reagir e lutar contra o terror que nos é imposto diária e implacávelmente será a atitude de todo o cidadão que se recuse a regressar ao passado. Infelizmente a delação e a bufaria não é tão pontual como diz Manuel Alegre, eu direi até, qual pontualmente qual carapuça camarada, a grande verdade é que os direitos humanos e democráticos mais elementares estão a ser agredidos ao melhor estilo pidesco.
O artigo súbtil do Camarada Manuel Alegre parece querer por água na fervura de um tacho cheio. Parece-me mais um exercício de limpeza da alma de um 1.º ministro cuja governância permite que concidadãos à beira da morte sejam obrigados a trabalhar, e que use os meios do poder para calar quem fala.
Reagir é urgente, contra uma ditadura emergente que usa o bom nome do Socialismo para o exercício do terror de Estado.
Eu não tenho medo!

[2] Algumas reflexões sobre o artigo de Manuel Alegre
João Pedro Bernardo, 2007-07-25 17:00:18
É este estado de coisas referido pelo Manuel Alegre que me afasta do PS, partido com o qual tenho alguma afinidade ideológica, pois há muito que me considero republicano, laico e socialista. É preocupante que haja militantes socialistas rendidos à lógica da governamentalização na acção política e aos ditames neo-liberais no campo económico e financeiro. Seria interessante que os socialistas advogassem um novo PEC ou, talvez uma nova forma da sua aplicação, por forma a ter em conta as injustiças sociais que a sua aplicação nos moldes actuais pode estar a gerar. Não deixa de ser "engraçado" que seja uma figura claramente de direita que esteja a advogar a sua alteração ou revisão.
Considero ainda que há um outro problema que o Manuel Alegre não aborda no seu artigo, mas que tem reflexos nas questões que ele levanta. É o problema do socialismo face às novas realidades. Pergunto-me se, a nível internacional, os socialistas e os sociais-democratas de hoje não estão de tal forma seduzidos pelo poder, que já não se preocupam em evitar que as economias de mercado se transformem em sociedades de mercado, mas tão só, em fazer funcionar o capitalismo de forma a causar os menores danos sociais possíveis? Esta pergunta leva a outra: o que é ser socialista e social-democrata no início do séc. XXI?

[1] Medo!
Artur Ferreira, 2007-07-25 16:27:35
O que pode representar hoje, o medo?
Há trinta e cinco anos atrás o medo identificava-se com prisão, hoje não! O medo, hoje, é perder emprego, trabalho, privilégios, mordomias... Hoje, o medo identifica-se mais com carreira profissonal, com sustentabilidade económica, com bem-estar e com poder! Quem tem poder, hoje, parece ter tudo, direito a tudo, mesmo que para isso se ponha a justiça de lado!
Manuel Alegre, há trinta e cinco anos atrás, vivia a esperança e hoje parece viver a desilusão. Manuel Alegre é um resistente, um resistente muito especial. Alguns dos que citou no seu artigo, saíram do PS, como muitos outros, com elevado valor moral. Manuel Alegre mantém-se como se mantiveram Mário Soares, Jorge Sampaio e outros.
O PS, hoje, é o PS dos resistentes!! O PS, hoje, já não pode cantar liberdade. Está a confundir as pessoas de tal forma que nunca como hoje, após Abril, se falou tanto de delação, desumanidade perante o direito à reforma antecipada, injustiça, dificuldades no acesso à assistência hospitalar, medo, etc. Hoje, a nossa democracia, é o somatório de muitos pequenos poderes (autarquias, nomeações políticas...) que têm à sua frente outros tantos pequenos ditadores...
Gostei do artigo de Manuel Alegre e só artigos com este nível podem voltar a alimentar a esperança, como há trinta e cinco anos atrás...

 
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