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fonte. É mais um contributo para o debate. A selecção de textos é
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textos seleccionados. A verdade e a política [Joaquim Jorge, Publico.pt, 22-03-2008] | 0 comentários O importante em democracia não são os governantes que dela emanam mas sim o acordo da população e o respeito Será que a verdade fica condenada ao isolamento impotente e a política à mentira e à prepotência? A verdade é incómoda para o poder. No choque com o poder, a verdade sai derrotada, mas conserva a força que é seu apanágio. A persuasão e o medo podem destruir a verdade mas não podem substituí-la. A verdade e a política sempre estiveram de más relações. A verdade tem um estatuto precário nos regimes constitucionais. Como diz Sócrates, filósofo grego: "É preferível sofrer o mal que praticá-lo."
As mentiras políticas dos nossos dias lidam eficazmente com coisas que não são segredo nenhum, mas estão acessíveis praticamente a toda a gente. Isto é flagrante, no caso da reescrita da história contemporânea, à frente dos olhos que a testemunham, mas também é verdade na produção de imagens e simulacros de todos os géneros com que os factos estabelecidos e conhecidos podem ser negados, esquecidos ou mistificados, se são susceptíveis de atentar contra essas imagens. Ora, este sucedâneo da realidade, por acção das novas técnicas e dos mass media, torna-se mais apelativo do que o original. Na óptica da verdade, a política é um jogo de interesses em disputa, mas que não deve esquecer a nobreza da actividade política. O político é grande, nobre e digno. O conflito entre a verdade de facto e a política só se agudiza ao nível mais baixo dos assuntos humanos. Como escreveu o filósofo alemão Kant: "A verdadeira política não pode dar nenhum passo sem render homenagem à moral." Em Portugal é preciso uma revolução moral. Realização da justiça. Cultura de solidariedade pela vivência da liberdade (que não de libertinagem ou anarquia). Cultivo de valores da honestidade e transparência verdadeira, de modo a criar confiança nas instituições e dar crédito ao Estado. Renovando as instituições existentes e não apenas mudando-lhes o nome. O primado do ser sobre o ter, da cultura sobre a economia, da comunidade sobre a sociedade. Combater os vícios-avatares, tendo quatro objectivos: desburocratizar; desideologizar; desclientelizar; descentralizar. A esta revolução de mentalidades é necessário que se opere uma verdadeira palingenesia através de uma nova educação, capaz de prevenir os "sebastianismos endógenos" e os "imitacionismos exógenos", capaz de dar a Portugal um caminho próprio e natural. A política é a arte de governar, arte de dirigir, e associa-se a astúcia, esperteza, maquiavelismo, cortesia, urbanidade, civilidade e cerimónia. Mas a verdadeira política é honesta. Muitas vezes os políticos fazem inúmeras promessas para atraírem a si a estima e o suporte dos eleitores, mas se eles quiserem que as pessoas gostem deles e os apreciem, o mais importante é serem honestos e exprimirem as suas convicções com sinceridade. Se as pessoas mudarem e as suas palavras mudarem em função das circunstâncias, os cidadãos vão dar-se conta e recordá-lo. A franqueza é uma qualidade essencial. O importante em democracia não são os governantes que dela emanam mas sim o acordo da população e o respeito. A maioria deste Governo quer que se governe sem discussão. Os portugueses horrorizados com algumas decisões deste Governo, nomeadamente na educação, começam a sublevar-se contra elas e o que virá a seguir. O general Garcia Leandro alertou, o documento da Sedes reforçou e as manifestações genuínas de professores aí estão. A seguir será a população em geral... A vitória resulta do que defendemos que está certo. Essa é a vitória. Biólogo (clubedospensadores.blogspot.com) |
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